A ANTIGA VILA DE SANTO ANTÔNIO DE SÁ

É no século XVI que se dá a ocupação dos “sertões do Rio Macacu” pelos colonizadores portugueses, pois em 1567 o fidalgo português Miguel de Moura recebeu uma sesmaria (grande extensão de terras) na planície do Rio Macacu (José Matoso Maia Forte – 1937). Entretanto, apesar da abertura de fazendas e engenhos de cana-de-açúcar na região*, o primeiro povoamento no Recôncavo da Guanabara foi a Vila de Santo Antônio de Sá, fundada em 1697, às margens do Rio Macacu (Na mesma região que hoje abriga o COMPERJ).

*O ato de criação da vila de Santo Antônio de Sá seria uma mera curiosidade histórica não fosse o fato de que a descrição da solenidade constitui uma fonte rica de informações sobre a estrutura social que estava sendo criada no sertão do Macacu. Não só a maior parte das terras pertencia a um grupo muito pequeno de indivíduos, como os laços familiares entre eles garantiam o controle das terras, fosse por casamento ou herança. Assim estavam presentes naquela solenidade membros das famílias dos Duque Estrada, dos Sardinha, dos Silva, dos Costa Soares, dos Pacheco e dos Azevedo Coutinho (às vezes escrito Azeredo Coutinho). Cada família era associada a uma parcela do território: por exemplo, os Azevedo Coutinho e os Sardinha eram donos de terras e engenhos em Itapacorá; os Sardinha também eram proprietários em Macacu e Guaxindiba, e assim por diante (Forte,1984).

A Vila de Santo Antônio de Sá, com suas freguesias e povoados, experimentou um grande desenvolvimento econômico, parte disto em razão de sua localização, tendo em toda a região entrepostos comerciais que recebiam, via escoamento fluvial, a sua produção e a da região serrana e interior fluminense, através de seus rios como o Macacu, Casseribu e Aldeia. Porém, anos de desmatamento desordenado, tornaram as áreas aráveis em charcos, e o consequente assoreamento dos rios não só foi destruindo o potencial produtivo, mas também cooperou na proliferação de mosquitos, vetores de doenças como a febre amarela e a malária, o que resultou, a partir de 1829 no início da extinção da Vila (então a mais atingida pelas doenças). As chamadas “Febres do Macacu” foram tão marcantes que nos anos que se seguiram as pessoas evitavam retornar ao lugar devido ao medo que se instalou (Num ofício ao Marquês de Caravelas, que era Ministro e Secretário dos Negócios do Império, em 25 de agosto de 1830, Francisco José Alves Carneiro, Juiz de Fora da Vila de Sto. Antônio de Sá, fazia saber sobre a Vila já se encontrar quase deserta, contando talvez, com meia dúzia de homens, levando-se em conta que a Vila chegou a ter uma população de aproximadamente 19.000 “almas”.

Seu maior destaque foi o Convento Franciscano de São Boaventura, inaugurado em 04 de fevereiro de 1670, após dez anos de construção. Hoje, são as suas ruínas que ostentam a outrora história de importância da antiga Vila no desbravamento do que os antigos chamavam de os "Sertões do Macacu".

CACHOEIRAS DE MACACU

As terras que compõem a Bacia Guapi-Macacu atualmente são ocupadas pelo território do município de Cachoeiras de Macacu. Porém estas terras tem um histórico de ocupação que data de 1567 com a doação de uma Sesmaria para o Fidalgo Miguel de Moura. Já no relato desta transação há indicação de localização das terras cortadas pelo Rio Macacu. O processo de doação destas terras como parte de uma política de distribuição de terras no entorno da Baía de Guanabara com o objetivo de ocupação e controle das rotas para o interior.

Como Miguel de Moura não tomou posse das terras, mantendo-se em Portugal, onde vivia, a Sesmaria foi doada aos Padres da Companhia de Jesus em 1571, em cerimônia às margens do Rio Macacu. Entretanto, a demarcação das terras não pode ser realizada por haver na região um disputa com os índios Guarani da região.

Em todos os relatos sobre o processo de ocupação da região há registro dos rios, que eram muito importantes como forma de acesso aos chamados “sertões”. Os rios que se destacavam como rota de entrada para os colonizadores são o Macacu, o Guapiaçu (Guapiguaçu, grafia utilizada em alguns registros) e Caceribu.

As terras da Bacia foram batizadas no século XXVII (1647) como Freguesia de Santo Antônio do Macacu. Na segunda metade do século XVII foram instalados novos povoados e construídas igrejas que marcaram o processo de colonização. Entre elas, destaca-se o Convento de São Boa Ventura de Macacu, suas ruínas encontram-se atualmente no município de Itaboraí.

A partir de 1693, através de expedição de várias cartas Régias o governador da Capitania passa a recomendar a instalação de Câmaras Municipais, nomear os Juízes Ordinários, constituir forças militares, estabelecendo políticas de controle social e de acesso à região. Finalmente em 05 de agosto de 1697 e fundada a Vila de Santo Antônio de Sá, pelo então governador General Arthur de Sá Menezes. No dia seguinte houve a eleição das autoridades com a presença do povo e da nobreza e em 18 de setembro do mesmo ano o Governador Geral concedeu a Bhaltazar da Costa Oliveira o cargo de Capitão Mor da Vila (Cardoso). Estava fundada a primeira Vila daquelas terras que passaria a sediar o município de mesmo nome. O município de Santo Antônio de Sá ocupava naquela época terras dos atuais municípios de São Gonçalo, Itaboraí, Guapimirim e Cachoeiras de Macacu.

O nome Cachoeiras de Macacu surge a partir de 1894 quando o Arraial da Cachoeira foi elevado a categoria de Vila e passou a denominar-se Cachoeiras de Macacu.

Em todos os relatos encontrados por historiadores a respeito da história de ocupação da região observa-se que os rios já tinham os nomes que hoje conhecemos. As vilas e cidades foram alterando seus nomes conforme os anos foram passando e a ocupação se consolidando. Este levantamento nos leva a acreditar que os rios receberam seus nomes pelos índios que ocupavam estas terras. Caceribu em Tupi-Guarani significa flecha certeira e Guapi-guaçu (guapiaçu) significa leito grande. Entretanto, não encontramos um significado nesta língua para Macacu.

 

Muitos moradores do município atribuem este nome a uma árvore da região que estaria extinta. Uma artesã local, Margareth Cardoso, que trabalha com jóias em prata tem trabalhos que retratam a folha. Em nosso trabalho de pesquisa encontramos uma árvore denominada Macucu, que muito se assemelha com aos relatos dos moradores. Trata-se da Macucu sm Bot Nome comum a três árvores amazônicas, leguminosas-cesalpiniáceas (Aldina heterophylla, A. occidentalis e A. Iatifolia), que fornecem uma substância tintorial.

Ainda podemos atribuir a origem do nome a uma ave comum na região, o macuco (Tinamus solitarius), uma vez que em relatos de 1697 destaca-se a presença do animal, que já foi avistado na Reserva Ecológica de Guapiaçu segundo dados secundários de levantamento faunístico.

No período de  1831 e 1835, o desenvolvimento da região foi interrompido pela por uma doença endêmica conhecida como “febre de Macacu”. Após significativa mortandade, a febre provocou êxodo rural e deu origem a grave crise econômica no município.

O declínio do núcleo original fez com que a sede municipal fosse transferida, em 1868, para a freguesia de Santíssima Trindade de Sant'ana de Macacu, posteriormente rebatizada como Sant'ana de Japuíba. Em 1923, nova mudança, levando a sede para o povoado de Cachoeiras de Macacu. Em 27 de dezembro de 1929, através da Lei nº 2.335, a vila de Cachoeiras de Macacu foi elevada à categoria de cidade.

Até 1930, além das lavouras de subsistência, Cachoeiras de Macacu dependia diretamente das atividades da oficina da estrada de ferro, que se aproveitava da localização do município usando-o como local de transbordo para a subida da serra. Pela presença do pátio de manobras a cidade ficou conhecida como “cidade dos ferroviários”. No período pós-guerra, entretanto, o ramal ferroviário de Cantagalo foi desativado.

Uma mudança significativa ocorreu no início da década de 40, a partir de experiências de reforma agrária para assentamento de colonos deslocados das áreas de citricultura da Baixada Fluminense. Estes formaram as colônias agrícolas de Japuíba e Papucaia. Cachoeiras de Macacu vem se recuperando paulatinamente, firmando-se na atividade agropecuária, na indústria moveleira e, mais recentemente, na de bebidas. Além disto, o município vem se afirmando como destino turístico em decorrência das suas belas quedas d’água e por abrigar importante remanescente de Mata Atlântica.

Guapiaçu

Guapiaçu está localizado no terceiro distrito de Cachoeiras de Macacu. A história da região conhecida como Guapiaçu está fortemente vinculada a Fazenda do Carmo, uma das primeiras propriedades que se tem registro na região. Esta fazenda estava localizada entre os rios Guapiaçu e Rabelo, de acordo com alguns relados a fazenda absorveu a mão-de-obra e a produção de alimentos e foi berço de uma tradicional confraternização popular, a festa de Nossa Senhora do Monte do Carmo, comemorada no dia 16 de julho até os dias atuais.

A bacia do rio Guapiaçu compreende uma área correspondente a 446 km², fazendo parte de três Unidades de conservação: O Parque Estadual dos Três Picos (PETP), o Refúgio Municipal de Vida Silvestre Macacu e as áreas de Área e Proteção Permanente nas proximidades dos rios. Atualmente, as ruínas da Fazenda são de propriedade da Ambev onde existe uma represa que abastece a fábrica da empresa. Na região, há uma forte presença de atividades agropecuárias, com destaque de dois grandes assentamentos rurais na localidade: Serra Queimada e São José da Boa Morte.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

TCR/RJ – estudos Socioeconômicos dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro – 2016 - file:///C:/Users/Gabriela%20Moreira/Downloads/Estudo%20Socioecon%C3%B4mico%202016%20-%20Cachoeiras%20de%20Macacu.pdf
Acesso em 23/11/2017

Prefeitura de Cachoeiras de Macacu. História do Município. Disponível em: <http://www.cachoeirasdemacacu.rj.gov.br/historia-do-municipio.html>
Acesso em: 19/11/2017.

ROSA JUNIOR, A. F. ; CESCO, Susana. Pobres rurais e desflorestamento no interior fluminense na segunda metade do século XIX. Revista Territórios e Fronteiras .Disponível em: < http://www.ppghis.com/territorios&fronteiras/index.php/v03n02/article/view/173/157> . Acesso em: 19/11/2017

Mapa de Cultura. Cachoeiras de Macacu. Disponível em: <http://mapadecultura.rj.gov.br/cidade/cachoeiras-de-macacu#prettyPhoto > Acesso em 19/11/2017

(Fonte: https://www.itaborai.rj.gov.br/conheca-nossa-historia/ em 21/02/2020)

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Fazenda Serra do Mar | s/nº
Guapiaçu 
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